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1. O INÍCIO COMO FACULDADE


 
1.1. Fundação 

Em função de aspirações de desenvolvimento cultural de uma das mais prósperas regiões do Estado e à necessidade de formação de mão-de-obra qualificada, pessoas de representação e responsabilidade da comunidade local (autoridades administrativas como o Prefeito, Juízes de Direito, Promotor Público; autoridades educacionais, como o Diretor do Colégio Estadual, o Diretor da Faculdade de Filosofia, o Coordenador do PAMP-DNE-MEC; representantes da região na Assembléia Legislativa do Estado - seis deputados; e professores) fundaram, em 1964, a Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna.

O Curso de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Santa Cruz completa, neste ano, 4 décadas  de existência. Desde que se iniciou, em 1965, num prédio localizado no início da rua Duque de Caxias, que a  antiga Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna - FACEI, enfrentou todos os tipos de dificuldades para se consolidar como mais um curso superior nesta região, que precisava de profissionais, como ainda precisa, com formação adequada para entender as instabilidades decorrentes do comércio internacional, a sua principal atividade e base de sua economia.


1.2. Primeiras dificuldades

Raimundo Jerônimo Dias Machado, que era diretor do Colégio Estadual de Itabuna, foi o inspirador da Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna, numa época em que muitos dos estudantes de então  não tinham noção do que fosse o curso de “ciências econômicas”. Ele também foi o primeiro diretor da FACEI e sua determinação de fazer, num momento em que a educação ainda não era comércio, mostra que idéia e ideais têm seu espaço mesmo onde é carente a solidariedade como impulso para muitas ações comuns.

O trabalho do Prof. Jerônimo à frente da FACEI foi reconhecido desde o início, quando os primeiros estudantes deram o seu nome ao recém-criado Centro Acadêmico, que passou a designar-se de Centro Acadêmico Dias Machado – CADIM, por iniciativa do primeiro presidente da entidade, o hoje ministro e Vice-Presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sálvio de Figueiredo Teixeira, estudante de economia na época. 

No início, outras pessoas tiveram importância fundamental na construção do ensino superior nesta região, cujo curso de economia ajudou bastante na sua consolidação, a começar pela família do Sr. Martinho Conceição, que cedeu as primeiras instalações físicas para o funcionamento da Faculdade. Sem deixar de reconhecer o papel de professores abnegados, é é importante realçar o empenho de autoridades públicas locais e estaduais, de entidades como a Comissão de Recuperação da Lavoura Cacaueira - Ceplac, além daqueles que foram os artífices materiais e intelectuais desse grande esforço de fazer o ensino superior numa área em que o ceticismo sempre predominou.

Depois, devido ao falecimento do Prof. Raimundo Jerônimo, assumiu o Prof. Alberto Jorge Felipe, promotor público na cidade de Itabuna, que deu continuidade ao curso e a administração. Alberto Felipe sempre teve apoio irrestrito dos estudantes, colaboração de que ele se valeu sem arrogância, porque via nos discentes de então grande vontade para vencer as dificuldades e consolidar o curso.

Outra  pessoa que  teve papel fundamental foi o Prof. Érito Machado, Juiz do Trabalho que não entrou na sintonia dos que se quedam aos primeiros sinais de dificuldades. Já era fim da década de 60 e início da de 70, quando o curso corria risco de ser invalidado (a primeira turma terminou em 1969 e colou grau em 1970), por não haver ainda autorização de funcionamento. Érito Machado, agudo de percepção e pragmático na ação, arregaçou as mangas e saiu na busca daquilo que era vital naquele momento: a autorização do Curso pelo Conselho Estadual de Educação. Ele mobilizou professores, arregimentou estudantes, buscou apoio da comunidade local e fez defesa oral no colegiado estadual que, depois de acurado exame do processo, concedeu a esperada autorização, e, o que foi mais significativo, com a convalidação dos cursos realizados a partir de 1965.

Finalmente, os estudantes foram peças importantes na construção da FACEI, pois se submeteram a todas as limitações existentes, de ordem acadêmica e material, contribuindo com sua ação (e irreverência) para que hoje se pudesse estar falando desses 40 anos.


2  REGULARIZAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO


2.1 Autorização de Funcionamento


Em função dos óbices existentes à concessão da autorização de funcionamento, houve grande mobilização da comunidade itabunense, como se depreende do documento encaminhado ao Sr. Antônio Carlos Magalhães, já naquela época político baiano de grande expressão nacional, no sentido de obter o seu apoio junto ao Conselho Estadual de Educação. O citado ofício, datado de 5 de março de 1970, foi  assinado pelo presidente da Câmara de Vereadores, pelo Presidente do Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau, pelo presidente do Rotary Clube, pelo presidente da Associação Comercial de Itabuna, pelo Venerável da Loja Maçônica, pelo presidente do Sindicato Rural de Itabuna, pelo presidente do Clube de Lojistas de Itabuna, pelo presidente do Centro Acadêmico de Economia, pelo Comitê Estudantil Pró-Universidade.

Nesse périplo, é indispensável reconhecer o papel de dois prefeitos de Itabuna, cujas ações foram decisivas para que a grande meta de autorização fosse atingida. O primeiro foi José de Almeida Alcântara, que, devido a limitação de espaço do casarão do prédio da rua Duque de Caxias, cedeu as antigas dependências do Fórum – que estavam sendo pretendidas por outros –, onde foram abrigadas as novas atividades da FACEI, agora de forma mais adequada. O segundo foi Fernando Cordier que, graças ao trabalho incansável de um professor, Joel Brandão de Oliveira, então secretário do prefeito, possibilitou que a Municipalidade assumisse os encargos  de entidade mantenedora da FACEI, condição sine qua non para que o processo de autorização atingisse o seu desiderato.

Só no dia 15 de junho de 1970, o Conselho Estadual de Educação aprovou o Parecer Nº 88/70, concedendo a Autorização para Funcionamento da Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna, convalidando os cursos realizados a partir de 1965. Pela sua importância histórica, do ponto de vista da educação superior nesta Região, transcreve-se o Parecer na íntegra, que consta do Apêndice. Depois de todas essas dificuldades, o processo foi encaminhado ao Ministério da Educação e Cultura, após o que foi concedida a autorização, conforme  Decreto Nº  67.141, de 08/09/70.

Entretanto, o Decreto foi editado sem convalidar os cursos realizados a partir de 1965, conforme sugestão constante do Parecer 88/70, do Conselho Estadual de Educação, o que exigiu novo empenho dos interessados para que essa falha fosse corrigida, sem o que os cursos realizados de 1965 até 1970 estariam irremediavelmente invalidados. Aqui cabe registrar o trabalho pessoal de um rádio-amador, o Sr. José Gomes de Oliveira, servidor da Justiça do Trabalho em Itabuna, que mobilizou outros rádios-amadores do país, militares, para que ajudassem na tarefa junto a pessoas ligadas ao Ministério da Educação e à Presidência da República, visando a emissão de novo decreto, que complementasse o anterior. Graças também a esse reforço dos rádios-amadores, liderados pelo Sr. José Gomes, isso veio a ocorrer  em 1971, quase um ano depois, com a edição do Decreto Nº 68.446, de 30/ 03/71.


2.2 Integração na FESPI


A iniciativa desses pioneiros empreendedores resultou na implementação dessa unidade isolada de ensino que,  posteriormente,  se agrega a outras unidades organizando-se  como Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna/ FESPI.

Em 1972, sob a liderança da Ceplac e com a participação do governo do Estado da Bahia, foi criada a Fundação Santa Cruz – FUSC, com o objetivo de se constituir a Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna – FESPI, integrada das seguintes faculdades isoladas: Faculdade de Direito de Ilhéus, com o curso de Direito; Faculdade de Filosofia de Itabuna, com os cursos de Filosofia, Letras, Pedagogia, Estudos Sociais e Ciências; Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna, com o curso de Ciências Econômicas.

Com a transformação da FESPI em UESC, desapareceram as faculdades sendo instituído o modelo binário, isto é, Administração Superior - Departamento. Durante o período de vigência da FACEI existiam dois departamentos afetos ao curso de Economia. Com a implantação do modelo binário houve a fusão dos departamentos, gerando o atual, o Departamento de Ciências Econômicas da UESC.

Em 1996 integra a Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC na forma de Departamento de Ciências Econômicas.

 

2.3  Reconhecimento
 

Vencida a etapa de luta pela autorização de funcionamento, o Diretor  da Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna requereu, em 1972, ao Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura que fosse mandado verificar as condições de seu funcionamento para efeito de reconhecimento da faculdade com o curso de Ciências Econômicas, conforme Processo Nº 1.884/72 do Conselho Federal de Educação.

Pela Portaria n.º 83, de 17/2/1972, do Diretor do DAU, foram designados os professores Antônio Manuel Henriques Pimenta, da Faculdade de Economia e Finanças do Rio de Janeiro, e  Ieda Maciel Spínola, da Inspetoria do MEC, para constituírem a Comissão Verificadora.

O exame do relatório da Comissão Verificadora, e das demais peças que compõem o processo citado, resultou no Parecer 1.384/74 – CESu (1o. Grupo), que indicou o reconhecimento. Logo após, foi concedido o reconhecimento, pelo Decreto Nº 74.866, de 11 de novembro de 1974.

 

3 INCORPORAÇÃO PELA UESC
 

Em 1991, por iniciativa do governo do Estado da Bahia, com as experiências  das faculdades isoladas, da FUNCRUZ e da FESPI, é criada a Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, pela Lei 6.344, de 5 de dezembro de 1991, “constituída pelos cursos de ensino superior atualmente em funcionamento, mantidos pelo Estado através da Fundação Santa Cruz – FUNCRUZ”, conforme dispõe o seu artigo 3º.

A Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna, como as demais, continuaram com suas estruturas administrativas e acadêmicas na UESC, até que se efetivasse o seu reconhecimento, conforme disposto no artigo 13 da Lei que a  criou.

Em 1966, o Curso de Economia e a Faculdade se integram a Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, na forma de Departamento de Ciências Econômicas, quando se implanta o modelo binário.


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O Ensino de Economia na UESC
 

No interior do Estado do Bahia existem apenas quatro cursos de Economia, sendo dois em Feira de Santana (UEFES E FTC), um em Vitória da Conquista (UESB) e outro em Ilhéus (UESC). Enquanto isso, em passado recente, existia o mesmo número de cursos de administração e hoje somam mais de duas dezenas, localizados no interior.         

O curso de Economia da UESC tem o privilégio de ser o único localizado nas regiões Sul e Extremo Sul da Bahia, área geograficamente expressiva, com contingente populacional igual ou superior a de alguns Estados da Federação.

A vantagem da falta de competição reflete na procura, a qual vem crescendo anualmente. Este resultado, embora positivo, coaduna-se com a realidade nacional, na medida que se observa que no passado a procura para o curso de Economia era similar ao de Administração. Isso levando em conta que foram instalados seis cursos de Administração na região, e a relação candidato/vaga é bem superior, fato que mostra que o quadro nacional também é refletido regionalmente.

No que se refere às especificidades do curso de Economia da UESC, o quadro espelha uma situação que tipifica a média da realidade nacional. O nível docente é satisfatório, atende às exigências da legislação e conta com um quadro de 36 professores, a maior parte com mestrado e doutorado. As instalações atendem às necessidades, os equipamentos didáticos e acervo bibliográfico estão sendo complementados e satisfazem as exigências técnico-pedagógicas. O Laboratório de Informática atende aos requisitos e está sendo ampliado.

 

A análise da realidade socioeconômica e as reflexões apresentadas no nível interno direcionaram a concepção do curso visando atingir os seguintes propósitos:

  • contribuir para cumprimento da missão institucional da UESC;
  • ministrar um ensino de qualidade, de modo a proporcionar ao aluno condições de desempenhar a profissão em todo o território nacional;
  • favorecer meios que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa.

          Para compatibilizar esses propósitos, estruturou-se o Curso de Economia, levando-se em consideração os seguintes aspectos:

  • os anseios e manifestações do público-alvo - os atores sociais;
  • requerimentos de ambiência externa – espaço onde o curso está inserido;
  • as potencialidades e limitações do curso e da Universidade;
  • formas de intervenção – integração ensino, pesquisa e extensão.

          Tomando-se como base essas demandas potenciais, numa região que precisa de forma crucial de maior presença da Academia, pode-se destacar a existência dos seguintes recursos humanos e mateiais:

  • a maioria do quadro de professorese é de doutores em Economia e tem formação em Economia Rural, situação idêntica ao quadro de Mestres;
  • em relação aos aportes técnico-científicos, vale citar a existência de Biblioteca com acervo considerável, laboratórios, cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas, o que facilita a integração interdisciplinar; e principalmente, a existência de programa de pesquisa, articulado e integrado com diversas instituições de pesquisa  e universidades; 
  • quanto às áreas que facilitam a atração de recursos, constatam-se o campo de conhecimento voltado para a biologia, agropecuária (produção de alimentos), o empreendedorismo, o setor público, economia e gestão como vetores que favorecem a formação de parcerias e obtenção de recursos (capital).

          

A partir dessas constatações, o curso foi concebido, fundado na existência de três enfoques para atuação de forma integrada e interdisciplinar, quais sejam:

  • Agronegócios, cuja presença decorre da relevância do setor primário regional, principal fonte de riqueza  (cacauicultura), base econômica  que gera  o  excedente, emprega mão-de-obra e responde mais rapidamente aos investimentos na região;
  • Empreendedorismo – enfoque voltado para o conjunto das atividades produtivas, principalmente no setor serviços, comércio e indústria;
  • Economia do setor público – enfoque que se apóia na importância e dimensão do serviço público municipal na região, cujo volume de capital que gere e a quantidade de emprego que oferece se pronunciam com expressivo destaque.

Ressalta-se que os enfoques apresentados se constituem em fatores que permitiram modelar a identidade do curso de Economia da UESC, sem perder de vista conteúdos gerais. Eles representam uma síntese, produto das demandas e requerimentos regionais e da própria capacidade de intervenção da IES. Espelham as aspirações da comunidade e se constituem em áreas compatíveis com o poder de potencialização da UESC, onde se pode desenvolver competências com foco na excelência.

De outra parte, as competências e habilidades teórico-práticas a serem desenvolvidas têm como base o perfil do graduando em economia, definido pelo MEC, de acordo com os seguintes critérios:

  • sólida formação teórica, histórica e quantitativa;
  • formação plural;
  • formação cultural ampla, que possibilite a compreensão das questões econômicas no seu contexto social;
  • capacidade de tomada de decisões e de resoluções de problemas, numa realidade diversificada e em constante transformação;
  • capacidade analítica, visão crítica e competência para adquirir novos conhecimentos;
  • capacidade de expressão oral e escrita;
  • consciência de que o senso ético de responsabilidade social deve nortear o exercício da profissão.

A harmonização do currículo com a nova legislação e a estruturação para atender as alterações impostas pela conjuntura atual determinaram a reformulação do currículo e elaboração do atual Projeto Pedagógico, bem como a realização de novo ordenamento na organização curricular.

O curso de graduação em Economia concede o título de bacharel em ciências econômicas, com opção de especialização em três enfoques:  1) Agronegócios;  2) Setor Público;  3) Empreendedorismo.

Para conclusão do curso de Ciências Econômicas, faz-se necessário que os discentes tenham seu trabalho monográfico aprovado por uma banca examinadora.

Texto retirado de:

NASCIMENTO, Fernando Rios do. 40 anos do Curso de Economia (Memória). 2. ed. rev. e ampl. Ilhéus: Editus, 2006.